Já a denominação mais específica “anorexia nervosa” surgiu com William Gull a partir de 1873, referindo-se à “forma peculiar de doença que afeta principalmente mulheres jovens e se caracteriza por emagrecimento extremo [...]” cuja “falta de apetite é [...] decorrente de um estado mental mórbido e não a qualquer disfunção gástrica[...].
A anorexia nervosa é caracterizada por uma restrição alimentar auto imposta com sequelas graves, características obsessivo-compulsivas e crenças irracionais que frequentemente complicam o tratamento. A instalação da doença de forma crônica provoca inicialmente desnutrição e desidratação. Apesar dos pacientes negarem fome, são comuns as queixas de fadiga, fraqueza, tonturas e visão turva. As complicações tornam-se graves uma vez que são utilizados métodos drásticos para se conseguir a perda cada vez maior de peso corporal.
A anorexia atinge normalmente mulheres entre 10 e 20 anos. Em geral se trata de mulheres inteligentes, provenientes de famílias de classe média alta, rígidas e fechadas sobre elas próprias, geralmente tem um relacionamento patológico com a mãe. São pessoas extremamente carentes de afeto (recusa inconsciente de crescer, tentando conservar as formas de infância) e com uma obsessiva tendência para o perfeccionismo intelectual.
Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com anorexia nervosa manifestam sintomas de depressão, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Alem dessas alterações de comportamento são identificados sintomas, como: pele seca e enrugada, queda de cabelo, pressão baixa e amenorréia. A adolescente anoréxica envelhece prematuramente.
A doença não escolhe classe social e chegou a círculos privilegiados, como no caso da filha do presidente francês Jacques Chirac e da princesa Victoria, da Suécia. Entre as vítimas mais velhas, é preciso lembrar a modelo Kate Moss, que já foi hospitalizada por anorexia, e a malograda princesa Diana, bulímica assumida.
